Entre teorias e bytes


Democratizar a mídia no Brasil: as contradições do PT

Posted in Clipping by fabiohp on the December 7, 2006

Da série: é preciso democratizar a mídia no Brasil (3)

Retirado do Mídia&Política

No final de 2002, durante uma palestra na Universidade de Brasília, o jornalista e professor Bernardo Kucinsky lamentou a falta de um projeto de comunicação petista para o Brasil. Segundo ele, o então recém-eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha um plano definido para áreas consideradas prioritárias para o país – política social, economia, saúde, educação, etc. Mas  havia esquecido ou negligenciado a questão dos meios de comunicação social.

Os quatro anos de administração do PT mostraram que Kucinsky estava certo. De fato, o governo fez muito pouco em termos de democratização do acesso à mídia no Brasil. Questões como o incentivo à comunicação comunitária e popular, o desenvolvimento de veículos públicos (e não estatais) e de uma legislação favorável à produção independente – bandeiras tradicionais da esquerda – não foram devidamente priorizadas na administração petista.

A política de comunicação do governo Lula mostrou-se conservadora e complacente com os interesses dos empresários da mídia. A questão da implantação da TV digital no Brasil é um bom exemplo disso. A política de distribuição de verbas para a comunicação governamental, excessivamente centralizada na publicidade paga veiculada na grande mídia, também.

O fato é que o governo foi ingênuo ao achar que era possível comprar a amizade da mídia. Embora tenha se mostrado complacente com essa política, os donos dos meios de comunicação nunca foram simpáticos à idéia de terem um governo de esquerda no Brasil. Na primeira oportunidade, eles deixaram claro seus interesses. O resultado foi o apoio mais ou menos explícito da imprensa à candidatura de Geraldo Alckmin.

Agora o governo aproveita a situação para reclamar da cobertura tendenciosa da mídia e invocar a necessidade de democratizar a comunicação. Numa jogada oportunista, ele se coloca como vítima, e esquece (ou finge esquecer) a sua parcela nessa história. A questão é saber se essa nova postura do governo com relação aos meios é fogo de palha ou se, garantido o segundo mandato, ele vai mesmo se submeter ao desgaste político de comprar briga com os donos da mídia no Brasil.

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